Matéria – 14/05/09 – Tudo como dantes no castelo de abrantes

“TUDO COMO DANTES NO CASTELO DE ABRANTES”

(Parte 1)
Prof. Ms. Myriam Marques

 

                                     Antonio Gramsci (1917) foi enfático ao tecer a seguinte propositura “Odeio os indiferentes e, como Frederico Hebbel, acredito que viver quer dizer tomar partido”.  Não podem existir apenas homens estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, “odeio os indiferentes.”
Que triste perceber que grande parte da massa dos homens abdicou de suas vontades, porque não se preocupam com os nós que são tecidos à sombra por um grupo fechado de pessoas que costuram a vida coletiva e os destinos de uma população. Bordam-se pontos cruzes de acordo com as visões imediatas e restritas as quais atendem unicamente aos seus interesses. Estamos falando de gente que pisa nos outros  conforme seus parâmetros. Criam os chefes e dão a eles a primazia de se sentirem acima do bem e do mal. Chefes que caem de pára-quedas trazidos pelo amigo do peito e num ataque de poder instantâneo, querem manipular a vida e o destino de muitos funcionários públicos que trazem há anos uma bagagem de experiência e dedicação. Estamos falando de gente que chega ao poder e pensa que é “Deus”. Todo esse processo gera dois tipos de funcionários: Os que aceitam e se tornam indiferentes a tudo, obedientes e silenciosos. Nada vêem, nada ouvem, nada falam, nada sentem. O outro tipo é composto de funcionários que se conservam em seus cargos por alimentarem-se das migalhas caídas das mesas dos poderosos do momento.
São bajuladores, mesquinhos, seres que não possuem identidade, ou senso crítico! São parasitas, covardes que só tomam partido dos que estão no poder, independente de quem sejam. Nesse dialético movimento restam as poucas pessoas que pensam, falam e se indignam. Que sofrem com a injustiça e se enojam com os bajuladores de plantão que povoam principalmente as repartições públicas. Estas pessoas que “falam” e não aceitam que lhes ponham o cabresto, são rotuladas de “doidas” e encrenqueiras. É porque estás poucas pessoas incomodam a ordem vigente e causam desconforto aos acomodados. Por outro lado servem de espelho para aqueles que gostariam de falar, mas falta-lhes coragem. Vale ressaltar que as sórdidas e velhas perseguições vêm ocorrendo em alguns órgãos da Prefeitura. Têm sido comum alguns servidores nos procurarem chorando por causa de atitudes arbitrárias de seus chefes  que insistem em abusar de seus poderes medíocres. São pessoas que diante de situações as quais não conseguem contornar preferem fazer uso da força coerciva. A despeito disto, afirmou Nietzsche, “Todo homem investido de poder é tentado a abusar dele”.
As perseguições são atos recorrentes desde os primórdios da história e atinge seu ápice nas sociedades pós-modernas em que a corrida capitalista induz os homens a uma disputa insana que se opera dentro dos variados grupos sociais para que possam  manter-se em seus respectivos “quadrados”.
Infelizmente seremos forçados a admitir que no interior do processo administrativo municipal “está tudo como dantes no castelo de Abrantes”. As ameaças vêm acontecendo nos mais variados setores. Com maior intensidade na pasta da EDUCAÇÃO de onde advêm as maiores lamentações. É incrível a contaminação narcísica que se apodera deste setor. Quanta gente “sem educação”!!!  Quanta pobreza de espírito!!! Quanta arrogância!!! Quantos chefes insolentes que destroem almas e contribuem para a apatia que paira sobre os verdadeiros agentes educacionais, aqueles que trabalham com as massas e lidam com a dura realidade.  Outro dia, fomos procurados por um grupo de auxiliares de educação de um dado CMEI que afirmam estarem sofrendo pressões e ameaças, tendo sido uma das reclamantes, posta à disposição por não concordar com os atos abusivos por parte da NOVA DIREÇÃO e da coordenadoria da Educação Infantil. A mesma foi jogada para um lugar bem longe como forma de punição, Afinal, cabe às instâncias superiores constituídas apenas “Vigiar e Punir” (Michel Foucaut). Não está havendo a valorização dos profissionais que querem trabalhar para a melhoria da cidade. Se um chefe não vai com a cara do funcionário transfere-o de lugar ou manda-o embora. Diante do exposto questionamos: Por que nossos profissionais da educação e grande parte dos funcionários públicos estão adoecendo com tanta incidência? Posso arriscar a uma resposta com base nos ensinamentos psicanalíticos: É que o sofrimento moral, as dores da alma transformam-se em sintomas físicos e produzem males que afetam a mente e o corpo. Esta metodologia adotada pelo “SISTEMA” baseada na vigilância e na punição tem fabricado os neuróticos, os psicóticos, os deprimidos, os maníacos e tantas outras patologias pós-modernas, causando prejuízos, à vida em particular e à sociedade de modo geral. Tais prerrogativas devem ser levadas em conta e urge que mudanças sejam feitas no sentido de corrigir os velhos e os novos ranços que atrapalham o desenvolvimento desta tão sofrida cidade de Ana.

 

Prof. Ms. Myriam Marques
Membro do Núcleo Gestor do Plano Diretor.
Presidente do Conselho Municipal de Previdência Social

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