PEQUENAS, MÉDIAS E GRANDES EMBRULHADAS.
Esta semana que passou apresentou uma série de fatos aparentemente isolados, mas com uma observação mais apurada percebe-se a conexão entre eles, pois refletem ações de uma gestão administrativa totalmente equivocada.
Na segunda-feira, dia 25 na parte da manhã houve a audiência pública na Câmara de vereadores solicitada pelos moradores inconformados pela decisão de colocar um estacionamento na Praça Cônego Trindade da Vila Góis. Interessante observar o poder que esta administração confusa tem de transformar um fato pequeno em um campo de guerra. Toda atitude autoritária gera reações contrárias e invadir uma área pública com tratores, atropelando a vontade popular em defesa do interesse particular só poderia dar no que deu. Em resposta a esta invasão truculenta, foi protocolada pelos moradores indignados uma ação judicial contestando a decisão da administração. Ficou provado, mais uma vez, que a única forma de negociar com esta administração é através da interferência de um Juiz de Direito.
O mais interessante neste episodio foi a defesa do articulador da confusão, o Sr. Nassin Farah, diretor de Indústria e Comércio, afirmando categoricamente que ele nunca quis o estacionamento na praça ( ele não, mas amigos dele sim). A culpa era do “pessoal” do CMTT (Companhia Municipal de Trânsito e Transportes) que previa este estacionamento no projeto por eles elaborado. Estando desde outubro de 2006 “exilada” neste órgão por ter sido impedida pela administração de continuar a trabalhar com meu oficio principal, planejamento urbano, posso garantir que a historia não é esta. Afirmo não como porta-voz do setor, mas como sindicalista que sou que o pedido do projeto só chegou naquela autarquia, como uma batata quente, quando o conflito já estava instalado e os ânimos acirrados. Na realidade é interessante ver a indefinição em relação à competência e a hierarquia nas ações administrativas e a forma desastrosa que transformam um projeto tão simples em caso de justiça.
No mesmo dia, à tarde, fui convocada para representar o CMTT no Fórum d’Agenda X XI onde o prefeito municipal fez um discurso no mínimo interessante. Começou a discorrer sobre a forma como encontrou o município logo após a intervenção. Parecia discurso de prefeito recém eleito, utilizou mais tempo falando das ações do ex-prefeito Ernani de Paula do que de sua própria administração. Afirmou que recebeu a prefeitura em 2003 com uma dívida de R$ 150 milhões, mas omitiu que já em 2005 esta dívida estava em torno de 220 milhões. Sabemos que a dívida fundada que estava em torno de R$ 78 milhões em 2003 subiu para 152 milhões em 2006. Esta tentativa de olhar para o passado, confirmada, durante a semana pelas ações anunciadas contra o ex-prefeito, demonstra a incompetência desta administração em resolver seus próprios problemas. A melhor defesa continua sendo o ataque e de novo confirmam a estratégias de guerra enquanto forma de administrar.
No meio da semana o prefeito-cassado e envolvido com denúncias de superfaturamento de obras públicas, desvios de verbas e diversos atos de improbidade administrativa continua afrontando o judiciário, pois mesmo perdendo em duas instâncias o recurso sobre a ilegalidade da cobrança de taxas de iluminação começa a ameaçar o servidor com o fantasma do atraso em decorrência da suspensão da cobrança desta taxa. Este episódio traz novos equívocos. O primeiro, a taxa de iluminação não pode ser justificada pelo pagamento da folha, mas sim pela manutenção do sistema. Segundo, se esta cobrança está vinculada com os salários em dia porque em 2006 cobrava-se esta taxa e os salários ficaram atrasados em até quatro meses? Terceiro, a mesma administração que congela os salários aumenta vertiginosamente e ilegalmente, como foi provado em duas instâncias, os impostos e as taxas em vigor. Se não bastassem os cortes e congelamento de salários, este discurso oficial já está anunciando retrocesso na promessa de manter os salários em dia como prescreve a Lei Orgânica do município. Mas o que podemos esperar de uma administração que não consegue honrar nem sua assinatura em documento e tem demonstrado um aprimoramento, cada dia maior, na arte de cometer embrulhada em todos os níveis.
Regina de Faria Brito
Presidente
SINDIANÁPOLIS
www.sindianapolis.org
Na Rádio Manchester – segunda-feira às 9:00h.