Matéria – 25/05/06 – Calafrios da ditadura

CALAFRIOS DA DITADURA

Na longa estrada desta vida, tive diversas e várias experiências, lembranças, momentos de alegrias e dissabores. Do alto da minha pequena vivência de quase setenta anos, acumulei experiências suficientes para conhecer bem o ser humano. Algumas passagens foram marcantes para mim individualmente, e para todos nós coletivamente. Em um passado, não muito longínquo, vivíamos dias nebulosos. Uma sombra de autoritarismo pairava sobre nós. Ofuscava o sol da liberdade. Ceifava as esperanças. Tolhia a dignidade. Eram tempos obscuros, de um estado autoritário, intolerante e temeroso, de possibilidades sem limites para o governante. O cidadão não poda sequer pensar em erguer a voz contra os excessos e desmandos. Calavam-no imediatamente.

Sinto calafrios somente de lembrar.

Como cidadã, mãe, avó e mulher que sou, nunca pude deixar de ver e ouvir os clamores dos meus irmãos diante das injustiças sociais que ainda existem em nossa sociedade. Minha representação sindical se baseia nestes sentimentos. Tenho vivido bastante, mas muitas situações ainda têm a capacidade me surpreender.

Hoje recebemos um convite do Senhor Prefeito Municipal de Anápolis, o “Professor” Pedro Sahium, para que, representando os servidores públicos do município, estivéssemos presentes à solenidade de criação do Grupo de Trabalho para a Elaboração do Plano de Carreira e instituição do Fundo de Capacitação do Servidor. É público e sabido que isto atendia a uma das muitas reivindicações do nosso Sindicato. Anseio dos servidores, há muito aguardado.

Não sabia eu, que os ares do passado autoritário ainda permeavam os corredores públicos e a alma de muitos de nossos governantes. Com sua relação mal resolvida com o poder público, esquecem-se o que representam. Arvoram-se em verdadeiros donos da verdade. Deixam-se dominar por um elevado sentimento de alta estima, onde passam a carecer de, até mesmo, de educação e senso crítico, convencidos de sua onipotência.

O “Professor” hoje me ensinou uma lição.

Ensinou-me o valor da luta pelos nossos direitos. Ensinou-me o peso de um cargo representativo. O ônus de defender ideais e transparência em nossa cidade. O custo de lutar por salários pagos na data certa, o custo de lutar por um plano de cargos, o custo por defender os interesses dos servidores que represento. Mas, antes de tudo, me ensinou tudo o que não quero e não devo ser.

Aproveitando-se o ato solene e do seu exercício da palavra, para simplesmente me agredir publicamente com ironias e insinuações, tentando diminuir minha luta e, especialmente, denegrir minha pessoa, percebi o quanto custa ser representante do povo, no meu caso, dos servidores públicos deste município.

Percebi e senti os calafrios do nosso passado político, de um estado autoritário e ditador, onde se calava a força todos aqueles que não fossem “macomunados” com o sistema. Ao me lançar imprecações diversas e insinuações duvidosas, o “Professor” me ensinou tolerância.

Não tive outra opção e por força do Cerimonial não pude usar de meu direito de resposta. Tive que passar por mais esta experiência “amordaçada”. Apenas gostaria, ao “Professor” lembrar, que ao me agredir atingiu não apenas uma cidadã, uma mãe e uma avó de família, mas sim toda a classe de servidores públicos municipais que represento.

Atuar nos interesses de uma classe oprimida, como é hoje a dos servidores públicos do Município de Anápolis, é tarefa que pode ser, muitas vezes, temperada de dissabores. Mas, deixo aqui o meu recado.

Para aqueles que não sabem os antigos diretores deste órgão, não se sabe por que motivos ou pressões, simplesmente renunciaram aos seus cargos. Ficaram somente pessoas de índole e de luta. Que não se curvam facilmente às táticas escusas de quem quer que seja. Queremos dizer aos nossos representados que iremos conduzir nossa tarefa até sua conclusão.

Não sou professora, mas gostaria de compartilhar um “segredo” com o nosso “Professor”. Em nossa Constituição Cidadã e nosso Estado Democrático, destacam-se: a proteção da dignidade da pessoa humana, do exercício dos direitos sociais e individuais, da liberdade, da segurança, do bem-estar, do desenvolvimento, da igualdade e da justiça e, sobretudo a transparência. São princípios basilares de nossa sociedade, que devem ser aplicados e nunca esquecidos.

Um outro fragmento desta Carta Magna, eu quero compartilhar com todos:

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constitução.” (Parágrado Único do art. 1º., C.F.)

Se quiser, “Professor”, pode fazer uma “colinha” para nunca se esquecer disso.

 

 

 

Eney de Faria Araújo

Presidente

SINDIANAPOLIS

SINDICATO DOS FUNCIONÁRIOS E SERVIDORES PUBLICOS MUNICIPAIS DE ANAPOLIS

 

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