A EFETIVA VALORIZAÇÃO DO SERVIDOR EFETIVO.
Há poucos dias, mais precisamente em uma tarde de Sábado, meu vizinho de coluna nesse Jornal organizou um encontro entre nós e o Prefeito Antonio Roberto. Apesar de o Prefeito ter sido o parceiro predileto do sindicato em diversos momentos nesses últimos dez anos, algumas arestas foram se formando nesses primeiros cinco meses de governo. Zeomar introduziu a conversa dizendo que o tom não teria caráter oficial, mas seria uma conversa de amigos. E assim pudemos colocar com espontaneidade e franqueza nossos posicionamentos sobre muitos pontos divergentes. A capacidade que o atual Prefeito tem de lidar com o contraditório, indubitavelmente, faz a diferença em relação aos que o antecederam e, com certeza, é a maior arma disponível para avançar na realização de seus objetivos.
De tudo o que conversamos nas duas horas que estivemos juntos ficou a certeza que boa parte das divergências reside no leva e traz de informações fantasiosas que muitas vezes é articulada por algumas pessoas com cargos de confiança dessa administração, como aconteceu também nas administrações anteriores. Essas pessoas, quando não possuem a segurança necessária, têm necessidade de “queimar” os servidores competentes, pois é a forma que encontram de se estabelecer e procurar se manter na chefia. Resta saber se existe apenas intencionalidade ou é incompetência desses servidores, pois estão marginalizando justamente aqueles que poderiam estar contribuindo com o conhecimento e a prática colecionados ao longo de muitos anos de trabalho público. A administração perde muito e a cidade mais ainda, pois surge daí ações equivocadas, medíocres e fadadas ao insucesso.
O antagonismo no tratamento dos servidores efetivos e comissionados tem gerado conflito e desarmonia entre essas duas categorias de servidores. Em diversos locais da administração tenho observado o tratamento jocoso direcionado aos servidores de carreira, buscando principalmente forjar e vender a imagem de que servidor efetivo não trabalha. A prefeitura que deveria funcionar sistemicamente sofre diversas conseqüências nefastas advindas desse processo: o emperramento da máquina pública, a insatisfação, a apatia dos servidores efetivos, dentre outros.
Falta a esses servidores comissionados uma visão mais precisa e amadurecida do que é o serviço público, pois ao adentrar em uma empresa seja particular ou pública, adere-se a um acordo implícito de priorizar a coletividade. A gestão de uma empresa deve ser conduzida considerando sua característica como um organismo que necessita de harmonia para trabalhar com maior eficiência. No caso do serviço público deve ser considerada a supremacia do interesse público sobre os interesses de classes ou partidos políticos, ou seja, os serviços devem atender sempre e prioritariamente as necessidades da coletividade.
A maior contradição nesse momento reside no fato de estarmos na reta final de elaboração do Plano de Cargos, Carreira e Vencimento – PCCV tendo como objetivo principal a valorização dos servidores de carreira. Após muita luta encabeçada pelo sindicato temos o total apoio do atual Prefeito para a concretização desse Plano, mas infelizmente, nem todos os colaboradores (???) dessa gestão tem comungado da estratégia governamental.
Quero acreditar na reversão desse processo mesmo porque de que adiantaria aprovar o PCCV sem a efetiva valorização do servidor efetivo?
Regina de Faria Brito
Presidente SINDIANÁPOLIS – www.sindianapolis.org