Matéria – 10/05/06 – Atrapalhando o tráfego

SINDIANÁPOLIS

SINDICATO DOS FUNCIONÁRIOS E SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS DE ANÁPOLIS

Presidente: Eney de Faria Araújo

 

 

ATRAPALHANDO O TRÁFEGO.

POR REGINA DE FARIA BRITO

 

 

 

[…] Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

 

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música […].

 

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acabou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio de passeio público

 

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

 

Construção (Chico Buarque de Holanda)

 

 

Esta música reproduz a vida sem sentido do operário do mundo da máquina. Um mundo alheio, que não lhe pertence. Hoje, o servidor público chegou ao ponto de estar em condição de inferioridade em relação a este homem explorado através de sua força de trabalho. Ele se transformou em uma peça de um tabuleiro de jogo onde só quem ganha é o patrão. A incerteza se vai receber seu salário com um, dois ou três meses de atraso lhe oprime fisicamente, mentalmente e emocionalmente. Ele trabalha em uma mesma empresa pública (?) onde, para não contrariar a pratica em vigor, desconsidera os preceitos constitucionais. Desta forma, alguns têm o privilégio de receber em dia, (saúde e educação), outros recebem com até dois meses de atraso e alguns com até três meses de atraso como é o caso dos aposentados.

Infelizmente, temos que admitir que o Chico Buarque, ao compor esta música, não conhecia a Prefeitura de Anápolis, pois teria pintado um quadro muito mais negro, pois os servidores não estão conseguindo sequer um prato de comida.

 

No dia 8 de maio, por solicitação dos funcionários revoltados com a quantidade de discursos vazios, só não mais vazios que suas geladeiras, cobraram do Sindicato uma ação mais efetiva. O que eles realmente queriam é paralisar e ir às ruas.

Estivemos com a “Candinha” que recebeu uma comitiva e prometeu colocar “aos poucos e na medida do possível as coisas em dia.”

Ao sair da audiência um expressivo número de funcionários estava à espera e a reação externou o sentimento de que não agüentam mais serem enganados, pois discurso não alimenta ninguém.

Vimos a reação como algo positivo, pois o Sindicato vem diagnosticando que a passividade e a inércia é uma doença contemporânea que só tem ampliado o nível de corrupção das empresas públicas em todo o país. Com certeza se a sociedade civil estivesse organizada a bandidagem não estaria tão gritante.

 

Gostaria que alguns políticos ouvissem os funcionários de panela vazia, atolados em dívidas e com doentes sem medicação. Mas acho que é pedir demais, pois eles estão muito ocupados fazendo acordos, mudando de partidos e às vezes vendendo até a mãe, para se livrar do peso da justiça em relação às inúmeras contravenções. Por bem ou por mal os agonizantes do passeio público estão atrapalhando o tráfego, quem sabe o incômodo possa levar a uma reflexão e a mudança de atitude.

 

Respondendo ao clamor geral dos funcionários o SINDIANÁPOLIS vem convocar a todos para participar do Ato Público sobre os atrasos de salários a realizar-se no dia 15 de Maio de2006, às 14:00 hs no Centro Administrativo. Participem!!!!

 

 

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